ARTIGOS JORNAL "CASA DO CEARÁ" EM BRASÍLIA

JOAQUIM PIMENTA

“No cérebro de um fanático, religioso ou ateu, revolucionário ou conservador, quando não vibra, dormita quase sempre, a alma feroz de um torquemada”. (Joaquim Pimenta. O TACAPE. Recife - PE, Abril de 1928)

Joaquim Pimenta nasceu em Tauá, Ceará aos 13 de Janeiro de 1886. Filho de João Nepomuceno Pimenta e de Vicência de Sousa Pimenta. Fez os primeiros estudos com a professora Maria do Livramento. Foi Sacristão na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, à época do pároco Joaquim Ferreira de Melo, com quem muito aprendeu, tornando-se professor de uma escola noturna para pessoas carentes.

Em 1904, viajou à cavalo para a cidade de Senador Pompeu, onde tomou um Trem com destino a Fortaleza, onde fez os preparatórios e iniciou o Curso de Direito. Com outros colegas universitários, funda em 1906 a Revista FORTALEZA (Revista Literária Filosófica, Científica e Comercial), que teve duração de dois anos. O Corpo Redatorial era assim composto: Diretores: Joaquim Pimenta e Raul Uchoa; Secretários: Jayme Alencar e Mário Linhares; Tesoureiro: Genuíno de Castro; Gerente: Eurico Mattos. Seu ativismo na política, com críticas ao governo de Nogueira Acióli ocasionou perseguições e ele foi aconselhado a mudar-se para a Faculdade de Recife (PE), onde bacharelou-se em 1910.

Recém formado, foi nomeado Promotor Público, passando pouco tempo no cargo, renunciando para, livre, combater publicamente o governador pernambucano de Rosa e Silva. Em junho de 1911, casa-se com Alice Azedo, filha do influente médico Raul Azedo. Desse matrimônio vieram quatro filhos. Em Recife submeteu-se a concurso para a cátedra de Direito Romano, perdendo para Assis Chateaubriand. Porém, conseguiu ser admitido como professor substituto de Filosofia do Direito, no ano de 1915. Pioneiro no Movimento Socialista Brasileiro, Joaquim Pimenta ligado ao Movimento Grevista Brasileiro, idealizador da “Aliança Nacional Libertadora”.

Em 1928 juntamente com Raul Azedo, Methodio Maranhão, Hercílio de Sousa e João Barreto fundou o quinzenário “O Tacape”, onde se discutia a política regional e nacional, também a educação popular. Entre tantos artigos de autoria de Joaquim Pimenta do referido quinzenário, destaco “Ensino Religioso e Ensino Leigo” (1929), assim como “O Papel do Operariado”; também a “Homenagem ao professor Joaquim Pimenta pelo Centro de Estudantes Libertadores”.

Quando foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (1931), tendo Lindolfo Color como primeiro ocupante da Pasta, Joaquim Pimenta atuou ao lado de Evaristo de Moraes e outros na reformulação da Lei Sindical e na organização do Departamento Nacional do Trabalho, visando a conciliação entre as classes patronais e operárias, inclusive as normas relativas ao Salário Mínimo.

Em 1932 Joaquim Pimenta obteve transferência da Faculdade de Direito do Recife para a Faculdade Nacional do Direito, no Distrito Federal, onde ocupou a cátedra de Direito Industrial e Legislação do Trabalho. Nesse tempo foi Procurador do Ministério do Trabalho. Além de colaborar em vários Jornais e Revista do País, com assuntos políticos, filosóficos e sociológicos, Joaquim Pimenta publicou várias Obras: “Ensaios de Sociologia” (1915); “Sociologia e Direito” (1928); “Golpes de Vista” (1930); “Cultura de Fichário” (1940); “Retalhos do Passado” (1949); “Enciclopédia de Cultura” (1955); “Sociologia Econômica e Jurídica do Trabalho” (1957) e “O Homem de um Olho Só” (1962), merecendo elogios de Luiz Câmara Cascudo, Clóvis Beviláqua e tantos outros intelectuais da época.

O ilustre tauaense faleceu no Rio de Janeiro aos 12 de Março de 1963. No ano de 1964 foi homenageado em sua cidade natal com uma Escola em seu Nome: Escola Joaquim Pimenta. É Nome de logradouro na cidade de Fortaleza, no bairro Montese. É Patrono na Academia Tauaense de Letras, Cadeira ocupada pelo advogado Dr. Edmilson Barbosa, biógrafo de Joaquim Pimenta, cuja obra foi publicada pela Fundação Demócrito Rocha. 

“Eu sou pela raça oprimida, porque conheci bem de perto o flagelo das Secas, sendo filho dos sertões cearenses, sei quais são as vossas aspirações, porque conheci todas as cenas horrorosas da Fome” (Joaquim Pimenta, Correio do Povo. Porto Alegre, RS, 1929).

(*) Anamélia Custódio Mota – Tauá CE. Especialista em História e Sociologia

Publicado no Jornal CEARÁ EM BRASÍLIA – Novembro de 2022

http://www.casadoceara.org.br/arquivos/Jornal/Jornal_Novembro_22/Jornal_Novembro_22.pdf


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O ROMANCE “A DIVORCIADA” DA CEARENSE FRANCISCA CLOTILDE

(MUDADO PARA "NOTÍCIA SOBRE A CEARENSE FRANCISCA CLOTILDE, AUTORA DO ROMANCE A DIVORCIADA)


Agripino Grieco, em A Evolução da Prosa Brasileira (1933) diz que “Os próprios cearenses de modo geral desconhecem grandes autores de sua terra, ficando perplexos, às vezes, quando a crítica de centros mais adiantados elege escritores nossos como valores exponenciais”.

Sobre a autora: professora, poeta, abolicionista, jornalista, contista, cronista, dramaturgista e romancista. Diferentemente da maioria das mulheres do seu tempo, participou ativamente da vida educacional, social e intelectual de nossa terra.

Foi professora da Escola Normal Pedro II, em Fortaleza, de 1882 a 1890. Em 1882 foi nomeada professora e em 1884 aprovada em concurso público para referida escola. Demitida em 1890, logo em seguida funda seu próprio colégio, o Externado Santa Clotilde, para crianças de ambos os sexos.

Sua veia poética desabrochou aos 14 anos, com a publicação do poema “Horas de Delírio”, no tradicional jornal da capital “CEARENSE”. Sonetista de primeira linha, com publicações em jornais e revistas, dentro e fora do estado do Ceará. Há notícias de publicações em Portugal e na França.

Dramaturgista, com registro de apresentações em sua escola, em outras escolas, em residências familiares, e em vários teatros. Suas crônicas são uma delícia, a exemplo, “A Primeira Educação” “A Educação Moral da Criança na Escola”, “A Mulher na Família”, “A Mulher na Política”, etc. Escreveu também várias Apologias: “Rocha Lima” e “Victor Hugo”.

Contista de mão cheia, publicou em 1897 um livro de contos intitulado “Coleção de Contos”, prefaciado por Tibúrcio de Oliveira, dedicado aos seus pais, Ana Maria Castelo Branco e João Correia Lima. Ex: A Enjeitada; Impenitente; Brincar com Cinzas.

Prefaciou vários livros, a exemplo, “Livro D’Alma”, da poeta Serafina Pontes e “Harpejos”, do poeta de Vasco Benício.

O romance A DIVORCIADA, da escritora cearense Francisca Clotilde foi publicado pela Typografia Moderna, em Fortaleza - CE, no ano de 1902. Composto de 37 capítulos distribuídos em 233 páginas. Logo de início trás o CARTÃO DE VISITA, da autora:

     “Não pense o leitor que vai ter diante dos olhos um romance de cenas aparatosas, cheio de peripécias emocionantes e de lances extraordinários.

É uma história singela de duas criaturas que se amaram com pureza e as quais o destino torturou acerbadamente antes de dar-lhes a felicidade almejada.

A maior parte da ação desenrola-se no campo, num pequeno povoado, em plena existência matuta, por entre a harmonia dos ninhos, trazida pelo gorjeio das aves festivas.

Trescala a narração o aroma das flores agrestes, é um inocente idílio que pode ser compreendido pelo olhar mais casto.

Não está filiada a escola alguma dos grandes Mestres; os seus personagens existem, e a cor verdadeira que apresentam é o mérito único da obra extremamente singela.

Revelam os inúmeros defeitos, a simplicidade rústica da forma, a pobreza do colorido, devido ao meio excessivamente burguês em que se deslizou a vida da – Divorciada”.

 

O romance A DIVORCIADA tem como cenário o povoado de Redenção, as cidades de Fortaleza e Rio de Janeiro; e o Amazonas. Nazareth, a protagonista é possuidora de bons sentimentos, eleita à bondade, consoladora dos aflitos, alguns a chamam irmã de caridade, considerada a primeira samaritana da literatura cearense. Já Maria da Glória insatisfeita com os poucos recursos do marido que não eram suficientes para seus desejos de ostentações. Diferente de Nazareth, Maria da Glória representa tudo que é condenado pela sociedade. Arthur, deixou-se levar pelo vício, pela farra e pelo álcool, destruindo a si a e a seu lar. Chiquinho, moço simplório, mas de bom caráter. Não aceito pela família de sua pretendente, torna-se um paroara e com sucesso retorna a terra natal. Cel. Pedrosa, pai de Nazareth arrepende-se de ter obrigado Nazareth a casar-se com o sobrinho e propõe que ela se divorcie. Através de A Divorciada, Francisca Clotilde reflete a situação da mulher que precisa manter-se presa a um casamento que já não existe.

Dolor Barreira, em a História da Literatura do Ceará: “Os estudos sobre a natureza e a importância do nosso romance são escassos, incompletos, pois permanecem quase sempre em considerações superficiais, sem maior aprofundamento, além das injustiças que se cometem, talvez inconscientemente, em relação a nomes que foram de certa forma, desbravadores de caminhos.

No ano de 1996 veio a lume uma nova edição de A DIVORCIADA, com apenas 200 exemplares, pela Editora Terra Bárbara em convênio com a Casa do Ceará em Brasília (DF), tendo como editores Jorge Brito e Cid Sabóia de Carvalho. E com comentários de Otacílio Colares, Nádia Battella Gotlib e Ângela Barros Leal.

Por último, surgiu no Rio de Janeiro (RJ), nesse tempo de pandemia do COVID 19 a - JANELA AMARELA EDITORA, “com uma visão de futuro, com a missão de resgatar obras esquecidas de grandes autores”, O Projeto Gráfico, Capa e Diagramação é assinado por Isaias C. Silveira – Abóbora X Design. A equipe editorial é composta por Ana Maria Leite Barbosa (Jornalista, PUC-RS) e Carol Engel (graduada em Marketing), que nos presenteia com a edição do romance A DIVORCIADA, o qual tenho a honra de apresentar ao leitor. Em tempos modernos, o livro pode ser adquirido na modalidade físico e Ebook. www.janelaamarelaeditora.com.br

Anamélia Custódio Mota

Tauá-CE, 29 de Maio de 2022

PUBLICADO NO JORNAL CEARÁ EM BRASÍLIA PARA O MÊS DE AGOSTO DE 2022 

http://www.casadoceara.org.br/arquivos/Jornal/Jornal_Agosto_22/Jornal_Agosto_22.pdf


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DR. AROLDO MOTA - DO CLÃ CAMPO PRETO 

                   

Advogado, Especialista em Direito Eleitoral, José Aroldo Cavalcante Mota, natural de Marruás, Tauá, Ceará – nasceu aos 27 de Janeiro de 1933. Filho de Ataciso Cavalcante Mota e de Luzia Sobreira Mota (Nenzinha). Pelo lado paterno, neto de Aureliano Cavalcante Mota e de Amélia de Carvalho Mota; bisneto de Vicente Ferreira da Mota e Maria Linda da Mota – Victor Cavalcante de Carvalho e Luciana Maria de Barros Mota. Pelo lado materno, neto de Humildes Alves Sobreira (Mildo) e Christina Jathay Sobreira e bisneto de Eufrásio Alves Sobreira e Alexandrina Maria da Conceição – Cel. Eufrásio Alves de Oliveira e Christina Oliveira Sobreira.

Batizado aos 21 de Maio de 1933, na Capela de Santa Rita de Cássia, na Vila de Marruás, pelo pároco Odorico de Andrade, tendo como padrinhos Humildes Alves Sobreira (avô materno) e Amélia de Carvalho Mota (avó paterno). Órfão de mãe, fez os primeiros estudos na cidade de Boa Viagem, seminarista na cidade do Crato e Fortaleza. Cursou a Faculdade de Direito, em Fortaleza (CE), em Salvador (BA) e na Universidade do Brasil (RJ). Casou-se aos 30 de Dezembro de 1961, na Paróquia de São Geraldo, em Fortaleza – com Francisca Custódio Araújo (Cinilda) com que teve três filhos: Marjorie, Desiree e Adriano. Avô de Igor, Yago e Aimée. Genro de João Crispim de Araújo (Janjão) e Maria Custódio de Araújo (Mariqunha).

Foi vice presidente do Grêmio do CPOR, em Fortaleza; presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB); tesoureiro da União Nacional dos Estudantes (UNE). Na Política cearense foi: Secretário Geral do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) Vice presidente da Comissão Executiva do PMDB; Presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Exerceu a função de Delegado de Polícia de Furtos e Roubos do Ceará. Assessor parlamentar na Assembléia Legislativa do Ceará. Assessor Político e Jurídico do Gabinete da Prefeita Luizianne Lins. Foi também, assessor Chefe da Controladoria Geral do Município de Fortaleza.

Aroldo Mota foi deputado estadual por duas legislaturas. Teve voz ativa na Assembleia Legislativa, pois possuía o dom da oratória e o desejo da construção de uma sociedade com menos desigualdade social. Defendeu, portanto, as principais necessidades do povo de seu estado. Destemido, criticava a negligência e a inoperância dos governos, tornando-se assim respeitado pelos demais deputados, inclusive, pelos adversários.

Professor Honoris Causa da Universidade Regional do Cariri (URCA); Presidente do Instituto Jurídico Eleitoral e Histórico (IJUREH) do Ceará; Sócio Efetivo e Vice presidente do Instituto do Ceará: Histórico, Geográfico e Antropológico; Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Por último, Membro e Vice Presidente do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (IBRADE). 

Autor de várias Obras de subido valor, “Abuso do Poder Econômico Eleitoral”; O Caso de Aratuba – Recursos Eleitorais”; “História Política de Tauá”; “História Política do Ceará (1947-1966”); “História Política do Ceará: Governo Raul Barbosa”; “Hotel de Animais”; “História Política do Ceará: 1945-1985”; “Os Morros: Realidade e Ficção”; “O Direito Eleitoral na Constituição de 1888”;  “Marruás: Realidade e Ficção”; “Boa Viagem: Realidade e Ficção”; As Sete Irmãs e a História Política no Ceará”; “Direito Eleitoral (Na Constituição, na Jurisprudência e na Legislação)” e outras mais. Diversos Artigos publicados na Revista do Instituto do Ceará (Geográfico, Histórico e Antropológico).

Em Vida foi agraciado com várias Medalhas: Centenário Clóvis Beviláqua, do Ministério da Educação; Advogado Padrão, da Ordem dos Advogados do Brasil (OABCE); Mérito Eleitoral, do Tribunal Eleitoral do Ceará. Recebeu várias Comendas. E alguns Títulos de Cidadania: Acopiara, Catarina e Fortaleza.

No ano de 1997, quando lhe foi dado Posse no Instituto do Ceará, recepcionado que foi pelo amigo Marcelo Linhares, este recorre a Ortega y Gasset: “A vida nos é dada, mas não é dada pronta”. E continua: “Levaste, caro amigo, bem a sério tal sentença, pois vosso trabalho foi árduo e diuturno, para alcançares as vitórias almejadas. Vinte anos depois, Aroldo Mota faleceu em Fortaleza aos 20 de Junho de 2017.

Na Sessão da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará do dia seguinte ao seu falecimento, foi prestada homenagem póstuma, fato proposto pelo deputado Odilon Aguiar. O deputado Julinho, que presidia os trabalhos, pediu um minuto de silêncio. Odilon Aguiar, assim se expressou: “Natural do Município de Tauá, Aroldo Mota, 84 anos, era advogado e um dos nomes mais respeitados na área do Direito Eleitoral. Foi deputado estadual por duas legislaturas, e também atuou na literatura, publicando obras como “Abuso do Poder Econômico no Direito Eleitoral” e a “História Política de Tauá”. Odilon Aguiar comentou que a cidade de Tauá amanheceu triste pela perda de um filho ilustre da terra. “Era um homem culto, de inteligência aguçada e que, ao longo da vida, deu vasta contribuição para a sociedade cearense”, exaltou. O deputado Sérgio Aguiar (PDT) lembrou que Aroldo Mota foi contemporâneo do seu avô Murilo Aguiar, como deputado, “procurando sempre conduzir a sua atuação com ideias firmes e respeitando as legislações eleitorais”. Já o deputado Dr. Santana (PT) destacou que Aroldo Mota é considerado o pai do Direito Eleitoral no Ceará. “Ele teve um trabalho marcante no movimento de redemocratização do Brasil, porque sempre teve um compromisso forte com a democracia”, pontuou. O petista assinalou ainda que a missão na terra de Aroldo Mota foi cumprida com zelo e dedicação.

A Câmara Municipal de Fortaleza aprovou Projeto Lei N. 0267 2019 – Art. 1* - Fica denominado José Aroldo Cavalcante Mota a Escola de Tempo Integral localizada na Rua Capitão Hugo Bezerra, no Bairro Barroso. Art. 2* Esta Lei entra em vigor a partir de sua publicação. Departamento Legislativo da Assembléia Municipal de Fortaleza. Ass: Renan Colares – Vereador PDT.

Enfim, Aroldo Mota é um dos filhos ilustres de Tauá – CE, de quem devemos nos orgulhar.

Anamélia Custódio Mota – Tauá - CE

PUBLICADO NO JORNAL CEARÁ EM BRASÍLIA PARA O MÊS DE JULHO DE 2022 - www.casadoceara.org.br/arquivos/Jornal/Jornal_Julho_22/Jornal_Julho_22.pdf 


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FAUSTO BARRETO

Fausto Carlos Barreto, natural de Tauá, CE, nasceu aos 19 de dezembro de 1852. Filho do capitão Antônio Carlos Barreto e de Maria José Barreto. Foi matriculado no Seminário de Fortaleza, mas transferiu-se para o Rio de Janeiro, afim de cursar Medicina, porém, abandonou o curso para dedicar-se ao Magistério.

No ano de 1883 foi aprovado em concurso onde conquistou a posição de lente do Colégio Pedro II (Escola Normal da Corte). Pela sua capacidade intelectual foi também Jornalista, e irradiou-se no mundo das Letras.

Adepto das ideias liberais foi um dos incansáveis batalhadores na cruzada aberta na História Política do País, pela Tribuna Liberal, chegando a ser um dos seus redatores, ao lado de Carlos Laet, Valentim Magalhães e Celso Júnior.

Considerado uma das maiores autoridades no vernáculo da Língua Portuguesa, quer na fala, quer na escrita. De sua lavra literária, em parceria com Carlos Laet, a famosa ANTHOLOGIA NACIONAL: Coleção de Excertos, inicialmente, adotado no Colégio Pedro II e na Escola Militar do Rio de Janeiro.

Foi membro fundador de A EDUCADORA - Companhia de Seguros sobre a Educação com o objetivo de fomentar o desenvolvimento do ensino e da educação no país, fato acontecido no ano de 1890. Procurando elevar o nível da instrução pública pela construção de escolas e colégios modelos, publicação de obras didáticas, conferências pedagógicas, etc.

Enquanto político, foi nomeado Presidente da Província do Rio Grande do Norte. Dizem que revelou-se um administrador consciencioso e esforçado, embora por um curto período de quatro meses (Julho a Outubro de 1889), muito fez para o progresso da referida província. Foi também deputado geral pelo Ceará – 2 distrito, concorrendo com Assis Brasil, na última legislatura do Império.

No ano de 1900 fundou o Externato Fausto Barreto, uma Escola de instrução primária e fundamental para meninas e meninos, que funcionou à rua Passos Manoel, no Bairro Laranjeiras, Rio de Janeiro, tendo como diretora sua genitora.

Como a maioria dos intelectuais distantes de sua terra natal, Fausto Barreto foi Membro correspondente do Instituto do Ceará

Casado com Ana Castelo Branco Barreto (tiveram cinco filhos), Fausto Barreto faleceu no Rio de Janeiro aos 02 de Outubro de 1915.

Fausto Barreto é Nome de Logradouro, na cidade do Rio de Janeiro. É Patrono na Academia Cearense de Letras Cadeira de Número 11 ocupada por Carvalho Júnior, bacharel em direito, professor e filólogo. É Nome de Logradouro na cidade de Tauá. Também Patrona Cadeira na Academia Tauaense de Letras, tendo como ocupante da referida Cadeira a professora historiadora Adelaide Gonçalves Pereira.

 Anamélia Custódio Mota

Tauá CE, 21 de Abril de 2022

PUBLICADO NO JORNAL CEARÁ EM BRASÍLIA PARA O MÊS DE ABRIL/MAIO DE 2022

http://www.casadoceara.org.br/arquivos/Jornal/Jornal_Abril_Maio_22/Jornal_Abril_Maio_22.pdf


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ARISTÓTELES BEZERRA


Aristóteles Bezerra nasceu em Fortaleza, CE aos 29 de maio de 1895, filho dos professores Duarte Bezerra e Francisca Clotilde. Formado em Ciências e Letras herdou dos pais o gosto pela Educação (professor, inspetor de ensino), pelo jornalismo e pela poesia. Foi também dramaturgo, sua burleta CRESÇA E APAREÇA foi apresentada no Grêmio Dramático Familiar – órgão de referência para o teatro cearense dirigido por Carlos Câmara.

Membro da Academia de Letras do Ceará, contemporâneo de Raquel de Queiróz, Filgueiras Lima, Alba Valdez e Eduardo Mota. Esses últimos três citados foram alunos de sua genitora. 

Pertenceu ao Centro Literário Gustavo Barroso, cuja diretoria para os anos de 1939-1940 era composta por José de Paula Freire (presidente); Maurício de Souza (vice-presidente); Antônio Bezerra de Meneses (orador); Amauri Saraiva (secretário); Valdir Lima (tesoureiro); Daniel Caminha (bibliotecário). Na referida instituição o professor Aristóteles Bezerra pertenceu ao Conselho de Honra ao lado Carlyle Martins, Ari Maia Nunes e Assis Ferreira.

Para Otacílio Colares, estudioso da Literatura Cearense ao reportar-se a Aristóteles Bezerra, do qual foi colega no Curso Ciências e Letras, no tradicional Instituto São Luiz, afirma: “Filho de uma legítima, talvez a mais legítima expressão da poesia feminina do Ceará, teve publicado, entre 1930 e 1940, dois livros de poemas: Transfigurações e Poemas de Fé e da Saudade”

Trazemos aqui alguns trechos de comentários encontrados sobre seu livro Transfigurações:

Daniel Caminha, do Grêmio Literário Gustavo Barroso: “Apesar de saber que essas linhas não vão contribuir para o êxito do livro citado, sinto-me, entretanto muito à vontade, em poder, nesse momento, expressar sinceramente ao seu autor a expressão que me vai n’alma. Não sou poeta, o que não me impede de admirar as boas poesias. Quero levar ao conhecimento do culto membro da Academia de Letras do Ceará que todos seus versos me agradam bastante, mas como nós sempre gostamos mais de umas coisas do que de outras peço ao senhor Aristóteles Bezerra para transcrever alguns. Um trecho de um citado soneto: Nos momentos de dor ou de alegria, De minha vida de sentimental, Minha dor muito pouco me crucia, Minha alegria quase me faz mal”.

Esther Paiva: “Aristóteles Bezerra é um apóstolo. E seus versos de uma beleza incomparável, só podem ser compreendido por espíritos em alto de perfeição, porque eles estão enriquecidos por atos de resignação e fé. Seus versos são genuinamente brasileiros, pois não estão enxertados de termos estrangeiros (...) Sua veia poética vem de hereditariedade, tendo dona Chiquinha (Francisca Clotilde) deixado um número considerável de versos belíssimos”. 

Serra Azul: “A expressão literária de um livro é sempre a representação moral do autor. Não há maior prova disso do que Transfigurações, de Aristóteles Bezerra (...) Raios de bondade e doçura que irradiam de sua própria alma dolorosa e pacífica”.

Vital Bizarria, poeta do opúsculo em versos “Comigo”, prefaciado por Antônio Sales, afirma: “Li-o com verdadeiro interesse, experimentando uma satisfação que me inspirava cada uma das suas páginas impregnadas de suave lirismo. Portador de uma moral rígida e sã. (...) Transfigurações constitui um atestado frisante de que seu autor é legítimo herdeiro de escol que foi Francisca Clotilde sua genitora e poetisa distinta”.  Bizarria destaca dentre a produção da obra o soneto dedicado a memória de Juvenal Galeno, o qual transcrevemos:

                    À JUVENAL GALENO

Exímio trovador foste sempre inspirado!
Que harmonia há nos teus versos de amor!
Com que satisfação, com que crescente agrado,
Eu leio os teus versos, imortal trovador!
 
Soubeste decantar o vaqueiro e o roçado!
Exaltaste a jangada e o heróico pescador!
“Cajueiro pequenino”, há de ser apontado,
Como o trabalho teu, de mais alto valor.
 
As lendas e canções da terra de Iracema
Merecem de ti, ora a estrofe e ora o poema,
Chegaram a inspirar-te esplêndidas canções.
 
Ler teus versos - é ter-se arroubos de alegria,
É conhecer-se bem o poder da poesia
Que chega a comover os nossos corações!
 

Aristóteles Bezerra pertenceu ao Instituto de Geografia e História do Ceará, fundado aos 25 de agosto de 1935. No ano de 1938, por ocasião do falecimento do Barão de Studart, dedicou o soneto abaixo, publicado na Revista do Instituto (1938:69)

 

À MEMÓRIA DE BARÃO DE STUDART

Grande batalhador de causas nobres
E do bem resoluto paladino,
Historiador, talento peregrino,
Este nosso Ceará tu nos descobres.
 

Sublimando a missão de vicentino

Muito fizeste em vida pelos pobres

Morreste. Ouço o planger de muitos dobres

E morrer é de todos o destino.

 

Barão de Studart, vulto inconfundível

Tu foste um bom, discípulo perfeito

De Vicente de Paulo, o grande Santo.

 

A memória terás imperecível

De gratidão era eterno o preito

Dos teus pobres, a quem amar-te tanto[1].

 

Aristóteles Bezerra faleceu no Rio de Janeiro aos 25 de Dezembro de 1946. Enfim, temos muitos resgates a realizar de autores cearenses. Fico feliz em poder colaborar mesmo que de forma sucinta, e finalizo com uma frase de Francisca Clotilde: “Tenho ufania em ser cearense e gostaria de cantar aos quatro ventos as Glória Imorredouras de minha Terra”.

 

Anamélia Custódio Mota – Tauá - Ceará


PUBLICADO NO JORNAL CEARÁ EM BRASÍLIA PARA O MÊS DE FEV/MAR DE 2022

http://www.casadoceara.org.br/arquivos/Jornal/Jornal_Fevereiro_Marco_22/Jornal_Fevereiro_Marco_22.pdf 


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FRANCISCA CLOTILDE

Segundo Agripino Grieco em “A Evolução da Prosa Brasileira” (1933), “Os próprios cearenses de modo geral ignoram Obras de grandes autores de sua terra, ficando perplexos, às vezes, quando a crítica de centros mais adiantados elege escritores nossos como valores exponenciais”.

Natural de Tauá, interior do Ceará Francisca Clotilde nasceu aos 19 de Outubro de 1962. Filha de João Correia Lima e de Ana Maria Castelo Branco. Muito jovem aparece na imprensa cearense enquanto poeta em tradicional Jornal CEARENSE, com o poema “Horas de Delírio” para o ano de 1977.

Foi aluna do Colégio da Imaculada Conceição, de onde saiu apta a exercer o ofício de professora. Aos 09 de junho de 1882 Francisca Clotilde foi nomeada para a 2ª Cadeira do sexo feminino da Capital cearense, através de Portaria[1] assinada pelo então presidente da Província do Ceará, o Bacharel Sancho de Barros Pimentel.

Sua missão de educadora não se limitava apenas à sala de aula, ávida de liberdade, engaja-se no Movimento Abolicionista, tomando parte na Sociedade das Senhoras Libertadoras. Dentre as vastas mensagens de Francisca Clotilde que marcam a participação da Mulher na luta abolicionista, o poema “A LIBERDADE”, publicado na GAZETA DO NORTE, aos 06 de Agosto de 1882.

A Abolição em Fortaleza, capital da Província do Ceará deu-se em Sessão solene no Plenário da Assembleia aos 24 de maio de 1883, onde foram cantados o Hino Nacional, o Hino da Independência, o Hino da Redenção e o Hino 24 de Maio.  Raimundo Girão (1894:182) afirma: “A oração de Maria Tomásia, pelo calor com que foi pronunciada, valeu por uma convulsão. Francisca Clotilde, recitando poesia sua, não arrancou efeito menor”.

Francisca Clotilde já segura de seus conhecimentos, submeteu-se aos exames para professora da Escola Normal Pedro II, fazendo provas brilhantes, com distinção em todas as matérias, foi considerada apta para exercer o magistério, carreira com a qual se sentia fortemente inclinada e - fato notável: ter sido a primeira professora do sexo feminino a lecionar na Escola Normal, com apenas 22 anos de idade. Foi seu examinador o professor Tomaz Antônio Carvalho, que era lente só para o sexo masculino.

Data de 27 de junho de 1884 o “Registro de Título da Formação da professora Dona Francisca Clotilde Barbosa Lima para a Cadeira Feminina Superior Anexa à Escola Normal”. Portaria[2] assinada pelo presidente da Província Antônio Pinto Nogueira Acioly.

Na Escola Normal Pedro II Francisca Clotilde trabalhou ao lado José de Barcelos[3], Thomaz Pompeu de Sousa Brasil, Justino Domingos da Silva, João Augusto da Frota, João Lopes Ferreira Filho, Joaquim Catunda, Agapito Cícero de Sampaio, Rodolfo Teófilo e Elvira Pinho entre outros.

Otacílio Colares, estudioso da Literatura Cearense falando sobre a poesia de Francisca Clotilde afirma que: “Pelo festejado do seu nome, como poeta de alto voo, e rara inspiração, bem poderia haver deixado um volume ao menos sabido que ela de quase menina, afizera-se ao trato com a arte de versejar, de modo especial ao soneto, que em forma sempre lhe saia fácil e sorrateiramente. E diz mais: nome aureolado de uma consagração, que chegou mesmo à popularidade de um Juvenal Galeno ou de um padre Antônio Tomaz.

Sua produção literária, poesias, contos, crônicas, artigos pedagógicos e políticos encontram-se esparsos em revistas, jornais do estado do Ceará e de outros estados brasileiros, também na França e em Portugal.

Autora de: “Livro de Contos” (1897), “Noções de Arithmetica” (1889), também de um romance, A Divorciada (1902). De fato, Francisca Clotilde foi uma mulher à frente do seu tempo, pois somente 75 anos depois foi que se deu a Lei do Divórcio no Brasil. 

Publicou também uma brochura intitulado “Pelo Ceará”, uma coleção de artigos escritos entre 1910-1912 (publicados no Jornal do Commercio) época de movimentos que ocasionou a queda da oligarquia Acioly. Entre os artigos podemos citar: “O Direito do Povo”, “A Mulher na Política”, “Apelo Patriótico” e “Victória”, esse último em comemoração à vitória do Tenente Coronel Franco Rabelo. Uma vez deposto O Cel. Franco Rabelo, a pena de Francisca Clotilde escreve o artigo intitulado "Ideal Desfeito".

Enfim, foram 53 anos dedicados a Educação no Ceará, inicialmente em Fortaleza (1882), vindo para Redenção em seguida para Baturité, depois indo para a cidade de Aracati, nessa última cidade fundou o Externato Santa Clotilde (1908) e lá permanecendo até 08 de dezembro de 1935, quando faleceu.

(Segundo Dolor Barreira, em História da Literatura Cearense “Os estudos sobre a natureza e a importância do nosso romance são escassos, incompletos, pois permanecem quase sempre em considerações superficiais, sem maior aprofundamento, além das injustiças que se cometem, talvez inconscientemente, em relação a nomes que foram de certa forma, desbravadores de caminhos”. E sem medo de errar digo e reafirmo FRANCISCA CLOTILDE foi de fato uma desbravadora de caminhos. Peço palmas para ela.) Parágrafo não publicado.

 

Anamélia Custódio Mota

Da Academia Tauaense de Letras

Patrona: Francisca Clotilde


PUBLICADO NO JORNAL CEARÁ EM BRASÍLIA PARA O MÊS DE DEZEMBRO DE 2021

http://www.casadoceara.org.br/arquivos/Jornal/Jornal_Dezembro_21/Jornal_Dezembro_21.pdf




[1] Livro de Nomeações, Arquivo Público do Ceará (Rua Senador Alencar).

[2] Livro de Títulos e Nomeações para o ano de 1884, Arquivo Público do Ceará. Rua Senador Alencar. Fortaleza, Ceará.

[3] Professor do Liceu e da Escola Normal. Através do Regulamento expedido em 26 de junho de 1885 é criada a função de Diretor na Escola Normal. Três semanas depois José de Barcelos é nomeado Diretor, permanecendo no Cargo até 1891, quando foi demitido. 

 

 

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