IMPENITENTE (À Alba Valdez) Agonizava lentamente numa placidez de sono enquanto a manhã despontava alvoroçando os pássaros, trazendo as flores em eclosão a agradável carícia de luz e a doçura do rócio vivificante e bom. O dia que surgia esplêndido e belo se tornava uma ironia pungente à noite que começava a fazer-se dentro de sua alma. Lá fora, as caridades, as alegrias, os hinos da alvorada; na alcova onde ela definhava as sombras, as tristezas, as nênias do crepúsculo. E aos poucos ia lhe fugindo a vida, sem que um gemido, uma queixa saíssem dos seus lábios esmaecidos, junto a ela o padre balbuciava rezas incitando-a a elevar o espírito as regiões imortais, as amigas choravam baixinho para não perturbar lhe a agonia e o relógio febrilmente os últimos momentos que lhe restavam viver. _ Filha, disse-lhe o padre, está disposta a se reconciliar com Deus, já lhe entrou na alma a luz benéfica do arrependimento? _ Não, fez ela com um gesto. Lembre-se que Deus é todo mise...
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